Faz mais de duas semanas que a Petrobrás reduziu o preço da gasolina e os brasileiros ainda não conseguiram sentir integralmente essa queda no bolso. A partir do dia 3 de junho, as refinarias passaram a vender a gasolina para as distribuidoras por R$ 2,85. O litro ficou R$ 0,17 mais barato. Os postos deveriam diminuir o preço do combustível nesse mesmo patamar. Mas não é isso o que acontece.

O valor total reduzido pela Petrobrás não está chegando ao consumidor. Os postos de combustíveis têm repassado somente uma parcela dessa diferença – e muitos simplesmente não repassam. No comparativo entre a primeira quinzena dos meses de junho e maio, o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostra que o preço médio da gasolina nas bombas caiu somente R$ 0,04, passando de R$ 6,43 para R$ 6,39. O levantamento do IPTL consolida o comportamento das transações de preços dos postos de combustíveis.
O cenário em relação ao diesel também é descabido. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou na semana passada os dados da inflação de maio e apontou que, de janeiro até o fim de abril, enquanto Petrobrás reduziu o preço do diesel em 12% nas refinarias, os postos aumentaram em mais de 3%.
O não repasse das reduções promovidas pela Petrobrás para o consumidor final só se explica, não havendo elevação dos impostos incidentes nos combustíveis, é o aumento da margem de lucro das distribuidoras e revendedoras.
Segundo análise do economista Eric Gil Dantas, do Ibeps (Instituto Brasileiros de Estudos Políticos e Sociais), que acompanha há anos o mercado de petróleo, só a margem de distribuição e revenda da gasolina subiu 63% de janeiro de 2019 até agora. Há seis anos, essa fatia era de R$ 0,73 e hoje, pelos dados oficiais da Petrobrás, representa R$ 1,19. E a situação não é diferente com o diesel.
A situação mais crítica é a do GLP ou gás de cozinha. A Petrobrás entrega os 13kg às distribuidoras a R$ 34,74, dados do início de junho, mas o consumidor final paga pelo botijão entre R$ 80,00 e R$150,00. (https://precos.petrobras.com.br/sele%C3%A7%C3%A3o-de-estados-glp)
Ou seja, o setor de distribuição e revenda, privatizado pelo governo Bolsonaro com a venda da BR Distribuidora, da Liquigás e Gaspetro, está espoliando a população para aumentar escandalosamente sua margem de lucro.
É imprescindível que ANP e CADE fiscalizem, mas não se limitem em apenas constatar os abusos, mas principalmente tomem ações para coibi-los e corrigi-los.
A privatização dos setores de transporte, (TAG, NTS) e distribuição de gás e derivados pelo governo passado foi um golpe não apenas para a Petrobrás, que se desverticalizou e perdeu mercado para suas concorrentes, mas principalmente para a economia e a sociedade brasileira. A presença da Petrobrás nesses setores não apenas gerava valor para a Companhia, mas permitia regular o mercado desses produtos viabilizando preços mais competitivos e justos ao consumidor final.
Por isso sempre repetimos: Privatizar faz mal ao Brasil.