Parceria da Petrobrás em energia solar é aprovada pelo CA

O CA aprovou, nesta terça-feira (16/12), a proposta de parceria estratégica da Petrobrás com a Lightsource bp para atuação no segmento de energias renováveis onshore. A proposta prevê a aquisição, pela Petrobrás, de 49,99% das subsidiárias da Lightsource bp no Brasil, estruturando uma joint venture com gestão compartilhada e foco, principalmente, na geração de energia solar.
Eu não aprovei a parceria. O portifólio da empresa contempla uma usina em operação, o complexo Milagres no sul do Ceará e vários projetos em diferentes locais e estágios de maturidade, cuja implantação será avaliada e decidida individualmente pelos parceiros. Reconheço a necessidade e importância de a companhia avançar na diversificação energética e aprovei a decisão de investimentos na área no PE e PN, mas esse projeto não atende, na minha visão, os melhores interesses da Petrobrás.


Sob a ótica estratégica, a Petrobrás, maior empresa brasileira e estatal, cujo DNA é o desafio tecnológico e a atuação verticalizada e integrada, tem condições ímpares de financiabilidade e de desenvolvimento tecnológico para liderar a diversificação energética justa e soberana com inovação e sustentabilidade. Esse, a meu ver, é o papel da companhia na diversificação energética: inovação com sustentabilidade e sinergia com nossas atividades.
As energias solar e eólica são tecnologias dominadas, com mercado e inúmeros atores estabelecidos e, portanto, acredito que deveriam ser adquiridas apenas para descarbonizar nossas instalações. Soma-se o fato de haver uma sobreoferta dessas energias no país, causando, inclusive, impactos na rede de distribuição.
Voltando a lente para a parceria em questão, sob a ótica geral, conforme levantamento que fiz, e divulgado em 2023, o padrão de implantação dos parques eólicos e solares no agreste brasileiro traz em seu rastro passivos socioambientais relevantes. E não é diferente nesse caso, entre projeto instalado e futuros em avaliação, os apontamentos e passivos envolvidos são, em minha avaliação, significativos e demandam atenção especial.
Por fim, para além da questão ambiental, destaco aqui que a parceria não é propriamente com a BP, que apostou forte na transição energética e precisou rever seu posicionamento a posteriori, mas com a subsidiária da petroleira, a Lightsource bp que, na minha opinião, deixa a desejar em questões estruturais organizacionais em algumas áreas, o que considero ser mais um fator que pesa contra para consumar a parceria.
A sustentabilidade e inovação devem ser a tônica da diversificação energética justa e soberana.