Só agora encontrei forças para falar sobre esse assunto. O que aconteceu foi chocante demais. Fiquei profundamente abalada com as notícias que circularam no início deste ano sobre o assassinato brutal do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC). Precisei de tempo para me inteirar dos fatos e processar o impacto de tamanha violência e crueldade cometidas por pretensos “seres humanos” contra um animal inofensivo e indefeso. Sou protetora e perdi duas cadelas recentemente. Chiquinha partiu em novembro passado e Iracema, há oito dias. Essa dor se intensifica ao tomar conhecimento da barbárie que representaram as agressões contra os cães Caramelo e Orelha, em Florianópolis. Definitivamente, precisamos reagir para que crimes hediondos como esses não se repitam.

Orelha era um cachorro e, para além de sua importância como tal, um símbolo de convivência e afeto comunitários. Sua morte expõe a deficiência das leis de proteção animal e a impunidade. Mas muito pior do que isso, revela a gravidade do adoecimento e da deformação moral, civilizatória, ética e humanitária de parte de nossa sociedade.
A escala dos atos de violência e crueldade cometidos por essas pessoas depende apenas da oportunidade para praticá-los. São indivíduos doentes e “moralmente” deformados, como aqueles que atacam violentamente animais, dirigem alcoolizados, ateiam fogo em pessoas vulneráveis e indefesas nas ruas.
Por tudo o que vimos e ouvimos até aqui, jovens de famílias abastadas aprenderam que a vida alheia não vale nada e que poder e dinheiro compram tudo. Para além do desrespeito ao direito e à vida do outro, há ainda a conivência daqueles que deveriam denunciar, investigar e combater crimes dessa natureza.
A morte de Orelha causou enorme comoção, inclusive fora do Brasil. A repercussão internacional revela o quanto esse crime ultrapassou fronteiras e escancarou nossas fragilidades institucionais. Isso precisa servir a um propósito maior: conscientizar, mobilizar e fortalecer a causa animal.
Definitivamente, a investigação conduzida pela Polícia Civil local não pode ser considerada concluída. São evidentes e flagrantes as falhas no processo. A parcela sadia da sociedade precisa exigir a reabertura e a federalização do caso para que todos os envolvidos, autores e cúmplices diretos ou indiretos, incluindo testemunhas da crueldade e as famílias que criaram esses monstros e insistem em protegê-los, acobertando um crime, sejam exemplarmente responsabilizados e punidos.
E isso precisa ser feito por Orelha, por Caramelo, que sobreviveu à tentativa de assassinato, e também por milhares de animais e pessoas vitimados pela barbárie. Não esqueçamos, por exemplo, de Galdino Pataxó, incendiado vivo por rapazes ricos que buscavam diversão na madrugada de Brasília, nem de tantos outros que foram queimados vivos nas ruas deste país.
Precisamos melhorar a legislação. As penas para crimes de maus-tratos, violência e crueldade ainda são muito brandas. Falo como ser humano, como cidadã, como alguém que convive diariamente com animais e que acaba de vivenciar a dor da perda. Não podemos normalizar a violência. Não podemos aceitar a impunidade. Por isso, convido todos a assinarem o abaixo-assinado que cobra a federalização da investigação e o endurecimento das leis de proteção animal. Não é apenas por Orelha e Caramelo. É por todos os animais que não têm voz. E é, sobretudo, pelo tipo de sociedade que escolhemos ser.
Assine a petição: https://c.org/nHFQffW5k6
Basta!
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