A Petrobrás informou, nesta quinta-feira (16), que decidiu exercer o direito de preferência e retomar 100% de participação nos campos de Tartaruga Verde e no Módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos. Como conselheira que sempre defendeu a preservação dos ativos estratégicos da Petrobrás, considero essa decisão de extrema importância e simbolismo para a companhia.

Eu estava retornando à área técnica, na Interpretação Geofísica, em 2012, quando foi declarada a comercialidade do campo de Tartaruga Verde, e pude acompanhar de perto esse processo. Foram anos de investimentos e assunção de riscos para descobrir e desenvolver o campo. Quando, então, a plataforma foi posicionada para iniciar a produção, juntamente com o Módulo III de Espadarte, o então presidente da Petrobrás, de triste memória, Pedro Parente, vendeu 50% dos campos para a Petronas – sem deixar de lado a ironia de classificar a operação como “parceria estratégica”. Só não revelou, à época, para quem seria estratégica.
Reassumir a integralidade dos campos que descobriu e desenvolveu sozinha, assumindo todos os riscos inerentes, é mais do que um estratégico e ótimo negócio para a Petrobrás, é uma reparação histórica.
A operação está alinhada ao Plano de Negócios da companhia, reforçando disciplina na alocação de capital, priorização de ativos de maior geração de valor e fortalecimento da resiliência econômica e ambiental. Mas é importante destacar que valor não se mede apenas em dólares: ele se mede, sobretudo, em soberania, planejamento estratégico e segurança energética.
Não podemos esquecer que a necessidade do atendimento do interesse coletivo foi o que justificou a criação da Petrobrás. E esse interesse reside justamente na garantia da segurança e soberania energética. A reconstrução da Petrobrás é fundamental para que a companhia volte a atuar de forma integrada e verticalizada, cumprindo plenamente a missão para a qual foi concebida.