CA aprova retomada da UFN-III, no Mato Grosso do Sul, e avanço do SEAP, na Bacia Sergipe-Alagoas

O Conselho de Administração da Petrobrás aprovou, nesta semana, a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), e a decisão final de investimentos do projeto SEAP-1, que se soma ao já aprovado SEAP-2, consolidando o Sergipe Águas Profundas, na Bacia Sergipe-Alagoas, como uma nova fronteira de produção de óleo e gás no país.


Fui uma das grandes defensoras da retomada desses projetos, que são de extrema importância estratégica e econômica para a Petrobrás, a região onde se inserem e o Brasil.
Como já abordado em post no dia 24 de março, a UFN-III teve suas obras – cerca de 80% concluídas – paralisadas durante a operação lava jato. Foi colocada em hibernação e posteriormente à venda, visto que, após o golpe de 2016, a gestão da companhia decidiu sair do setor de fertilizantes, anunciando a venda em 2017. Na gestão Silva e Luna, sua privatização foi anunciada em 04/02/2022, de forma irresponsável, indevida e euforicamente, pela então ministra da Agricultura e pré-candidata ao Senado, Tereza Cristina, em evento político com o agronegócio na cidade de Três Lagoas/MS, com direito a reportagens e vídeo do anúncio, que circularam nas mídias sem consequências para ambos, apesar de meus questionamentos à época. Em 2023, com a nova composição do CA, aprovamos o retorno ao setor de fertilizantes e iniciamos a saga para concretizar essa decisão. Os estudos técnicos e econômicos que embasaram a aprovação, em todas as instâncias decisórias, apresentaram resultados muito robustos. Um trabalho minucioso, responsável, complexo e hercúleo, que envolveu muitas equipes das diferentes diretorias, avaliando desde a condição da hibernação, passando pela estratégia de contratação e a sinergia com o Sistema Petrobrás, para aproveitamento do gás que produzimos.
A UFN-III ainda é a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina e representa 15% da necessidade desse insumo no país, reduzindo nossa dependência da importação. Estamos falando de uma planta com capacidade relevante — cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 de amônia, com excedente para comercialização — e localizada próxima a grandes mercados consumidores. Isso melhora a logística, aumenta a confiabilidade no abastecimento e ajuda a responder a uma demanda que só cresce no país.
O projeto SEAP-1 se soma ao SEAP-2, aprovado anteriormente, cuja estratégia de contratação foi determinante para a viabilização dos mesmos. O SEAP teve a declaração de comercialidade em 30 de dezembro de 2021 e passou por grandes turbulências, entre vários anúncios de investimentos que não se concretizaram à entrada na carteira de desinvestimentos. Em 2023, durante o debate do PN 24-28, por determinação do CA, o projeto foi deslocado da carteira em avaliação para a de implantação, dada sua relevância.
Com investimentos de R$ 60 bilhões, os dois módulos têm potencial para produzir mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente, ampliando a oferta nacional de petróleo e gás. O projeto prevê a instalação de duas plataformas do tipo FPSO, com capacidade conjunta de até 240 mil barris de óleo por dia e processamento de 22 milhões de metros cúbicos de gás natural. O aumento da oferta de gás é um dos direcionadores estratégicos definidos pelo CA em 2023 e tem papel central para o país e, em especial, para a região, que concentra hoje o maior polo petroquímico e duas fábricas de fertilizantes nitrogenados.
Assim como o anterior, esse projeto envolveu equipes multidisciplinares da companhia que, com responsabilidade, competência e integração, demonstraram sua viabilidade técnica e econômica. Reavaliações do projeto de engenharia, ganhos de escala e revisões contratuais foram fundamentais para torná-lo mais atrativo e viabilizar a negociação das plataformas P-81 e P-87. A previsão é que o SEAP II entre em operação em 2030, enquanto o SEAP I deve iniciar a produção até um ano depois. O projeto inclui a perfuração de 32 poços e a construção de um gasoduto de 134 quilômetros, reforçando a infraestrutura energética e ampliando a oferta de óleo e gás, especialmente no Nordeste.
Importante lembrar que a Petrobrás deve atender ao interesse coletivo que justificou sua criação como empresa estatal. Esses projetos estão aderentes ao nosso PE 2050 e PN 26-30, são rentáveis e estratégicos para a companhia, as regiões onde se inserem e o Brasil.