As notícias divulgadas neste fim de semana sobre um esquema de desvio de combustíveis por “refinarias brasileiras”, ligado ao PCC, geram mais confusão do que informação. Mas isso é intencional e chama a atenção para uma distorção frequente: generalizações e parcialidades que induzem o leitor a interpretações equivocadas. Confusão? Não! Método.
Na semana passada, falei sobre uma reportagem a respeito do início da exploração de petróleo no Brasil com o mesmo objetivo: confundir. E, mais do que isso, a intenção mais desonesta e perversa é atacar a imagem e desacreditar a maior empresa brasileira, a Petrobrás.
Quando se fala em “refinarias brasileiras”, é inevitável a associação com a Petrobrás. Afinal, durante décadas, a companhia foi responsável pela quase totalidade do refino no país e continua sendo a principal referência do setor.
Hoje, o Brasil possui 19 refinarias em operação autorizadas pela ANP. Destas, 11 pertencem à Petrobrás. Outras quatro refinarias do Sistema Petrobrás foram privatizadas no governo anterior: RLAM, REMAN, RPCC e SIX.
Embora o título da reportagem mencione “refinarias brasileiras”, ela se refere, de fato, apenas à Refinaria Riograndense (RPR). A unidade conta com participação da Petrobrás, mas não é controlada pela companhia. São três sócios paritários: Petrobrás, Ultrapar e Braskem.
O mais curioso é que a reportagem menciona a Refinaria Riograndense, mas deixa de citar a Refit, no Rio de Janeiro, pivô do maior escândalo de fraude no setor de combustíveis. A mesma Refit ligada ao maior sonegador contumaz do país, Ricardo Magro, “escondido” e, sim, abrigado, nos Estados Unidos da América. Fiquemos por aqui.
O combate ao crime organizado exige inteligência, estratégia e rigor das autoridades, como tem sido demonstrado recentemente. Mas o mesmo rigor deve ser exigido dos meios de comunicação.
A investigação e a constatação de crimes cometidos por determinados agentes ou empresas não autorizam a extrapolação para todo um setor. A generalização irresponsável presente no título da reportagem presta um desserviço à sociedade e expõe, mais uma vez, como boa parte da mídia tradicional trabalha contra o Brasil que dá certo.
A Petrobrás construiu, ao longo de décadas, um parque de refino que foi responsável por garantir o abastecimento nacional. Hoje, o setor é mais diversificado e reúne diferentes agentes e modelos de gestão. E essa nova realidade exige ainda mais precisão na hora de informar.
Noticiar deveria ser informar. E informar exige profissionalismo, precisão, contexto e responsabilidade. Esse deveria ser o papel da imprensa.