Reinício das obras da UFN-III marca mais um passo da Petrobrás para reduzir a dependência de fertilizantes

Foi realizada ontem (25) a assinatura dos contratos da Petrobrás com as empresas vencedoras das licitações para a conclusão das obras da UFN-III, em Três Lagoas (MS). A cerimônia, que contou com a participação da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca mais uma etapa da volta da companhia ao setor de fertilizantes. Para mim, é um momento especialmente importante, pois materializa a decisão estratégica que tomamos, em 2023, no Conselho de Administração.

A UFN-III teve suas obras interrompidas em 2015 pela Operação Lava Jato, quando já estava em estágio avançado de construção. Depois disso, foi colocada em hibernação e incluída nos planos de venda da companhia. Os governos Temer e Bolsonaro decidiram que a Petrobrás não atuaria mais no setor. Ao longo desses anos, o Brasil continuou dependente da importação de fertilizantes, mesmo sendo uma potência agrícola e consumindo volumes crescentes desses insumos essenciais para a produção de alimentos.
Foi justamente diante desse cenário que o CA aprovou, por proposta minha e do seu então presidente, Pietro Mendes e minha, em 2023, o retorno da Petrobrás ao segmento de fertilizantes. A partir daí, iniciou-se um trabalho intenso para recuperar ativos, avaliar oportunidades e reconstruir a presença da Petrobrás em uma área da qual ela jamais deveria ter se afastado.
A retomada da UFN-III é um dos resultados mais importantes desse processo. As obras devem ser reiniciadas em julho e têm potencial para gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, movimentando a economia local e regional. A previsão é que a unidade entre em operação em 2029, ampliando a produção nacional de fertilizantes e contribuindo para reduzir a dependência externa do Brasil nesse setor.
Vejo a retomada da UFN-III como muito mais do que a conclusão de uma obra paralisada. Ela representa a recuperação da capacidade de planejar o futuro, investir em áreas estratégicas e transformar recursos produzidos pela própria Petrobrás em desenvolvimento para o país. É um projeto que gera empregos, fortalece a indústria nacional, agrega valor ao gás natural produzido pela companhia e contribui para a segurança alimentar dos brasileiros.
Para além da recuperação da nossa produção de fertilizantes nitrogenados, a possibilidade de dobrar a capacidade de nossas fábricas, conforme anunciado pela presidente Magda, é extremamente importante e animadora.
Nessa mesma direção, em busca da nossa tão necessária autossuficiência em fertilizantes nitrogenados, lembro que os projetos originais para esse setor, nos governos pré-golpe, previam a construção de mais duas fábricas: uma em Uberlândia e outra em Linhares. Considero importante que essa perspectiva seja levada em conta em nossos estudos e planejamento.
A Petrobrás tem essa capacidade de atuar, enquanto um Sistema, com sinergia eficiência e rentabilidade para atender às necessidades do Brasil. Esse é o DNA da Petrobrás.