Muito se fala sobre a província petrolífera do pré-sal como uma das maiores riquezas do Brasil. E realmente é. E o Brasil detém outro patrimônio mineral estratégico que pode definir o futuro do país: as terras raras e os minerais críticos.
O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Esses minerais são essenciais para a produção de carros elétricos, turbinas eólicas, celulares, computadores, equipamentos médicos, tecnologias de defesa e inteligência artificial. Em outras palavras, são fundamentais para a economia do século XXI.
Não à toa, esses recursos estratégicos e críticos estão sob a mira e cobiça mundial e, principalmente, estadunidense.

Temos novamente uma gigantesca oportunidade de desenvolvimento social, científico, tecnológico e econômico nas mãos e não podemos deixá-la passar.
O Brasil precisa se apossar, de fato, de suas reservas minerais para que sua exploração seja sustentável e sirva aos interesses nacionais. O controle de sua exploração é fundamental para isso. Mas não apenas o controle da exploração. Temos, mais uma vez, a oportunidade de transformar uma riqueza natural em bens, promovendo o desenvolvimento tecnológico e industrial do país no processamento e na transformação dessa matéria-prima. Precisamos nos libertar do complexo de colonizados. Permitir que explorem nossas riquezas naturais predatoriamente, exportando-as como matéria-prima e importando o produto processado, não cabe mais no século XXI.
Dominar toda a cadeia produtiva — da pesquisa, lavra, refino à industrialização e ao desenvolvimento de novas tecnologias — é o caminho. O Brasil não pode repetir um erro histórico: exportar matéria-prima barata e importar tecnologia de alto valor agregado. Essa é uma questão de soberania.
A China compreendeu isso há décadas. Quem controla essa cadeia também conquista uma posição estratégica na economia mundial.
Nesse sentido, envolver nossas universidades, instituições e centros de pesquisa é condição sine qua non para definirmos esse caminho. O SGB (Serviço Geológico do Brasil)/CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) tem profissionais muito qualificados para liderar esse processo. A grande discussão do como materializar esse processo contemplando os minerais críticos e terras raras não pode se dar sem envolver as instituições e empresas públicas e estatais. Em se tratando de recursos críticos e estratégicos, o debate só será legítimo se travado nesse amplo fórum onde a soberania e os interesses nacionais sejam o direcionador.
Por fim, cabe aqui, mais uma vez, lamentar a injustificável privatização da nossa grande empresa de mineração, Vale do Rio Doce, e o fato de ela não ter sido resgatada. Indubitavelmente, estaríamos muito mais seguros e soberanos com essa grande estatal liderando esse processo. Fica a sugestão: reestatiza, Brasil.