Estatais e soberania: uma discussão que o Brasil precisa fazer

Li o artigo “A fake news das estatais e o projeto privatista”, do colunista de economia Pedro Rossi, publicado no UOL, que, com dados e tecnicidade, questiona a recorrente narrativa de que as empresas públicas e estatais, de forma generalizada, são deficitárias e ineficientes, expondo a desonestidade intelectual dessa retórica dos privatistas de plantão.
Volta e meia, aparece a mesma história: empresa pública é sinônimo de prejuízo, ineficiência e desperdício de dinheiro. Mas não é isso que os números mostram.
Uma coisa é o déficit fiscal. Outra, bem diferente, é o resultado de uma empresa. E os números oficiais ajudam a deixar isso claro. Em 2025, as estatais federais registraram R$ 169,4 bilhões de lucro, investiram R$ 115,9 bilhões e repassaram R$ 45,8 bilhões em dividendos para a União.


Logicamente, uma empresa pública, como qualquer outra empresa, precisa de boa gestão, transparência e responsabilidade. Mas não dá para pegar o problema de uma empresa específica, como os Correios, por exemplo, e colocar todas as estatais no mesmo saco.
E, quando falamos de Petrobrás, a discussão é ainda mais importante.
A Petrobrás não é apenas a maior empresa do Brasil, nem somente uma das maiores empresas de petróleo do planeta. O interesse público que justificou sua criação, e que não foi extinto, é o de garantir o abastecimento nacional de combustíveis. Ela tem papel fundamental no desenvolvimento econômico, tecnológico e social brasileiro. A Petrobrás é central para garantir a soberania energética do Brasil, e o controle estatal é condição imperativa para garantir o acesso à energia.
E tem uma questão decisiva: quem controla a energia de um país também tem poder para decidir sobre o seu futuro.
As privatizações de setores estratégicos, como energia, abastecimento e saneamento, demonstram com clareza e de forma inquestionável a tragédia social que podem provocar: escassez e encarecimento de serviços básicos e indispensáveis para que a população viva com dignidade e qualidade de vida.
Exemplos não faltam no Brasil e no mundo, inclusive na Europa, onde vários países estão reestatizando setores estratégicos que foram privatizados.
É preciso estar atento aos “pseudosespecialistas” que inundam as redes sociais, o jornalismo e programas de toda sorte, afirmando heresias técnicas com pose de doutor nas mais variadas áreas. O alerta é simples: política pública, energia, petróleo e gás não são para amadores.
Pedro Rossi faz uma análise profunda e abrangente de vários setores e afirma: “Crédito, energia, infraestrutura e tecnologia são fontes de poder econômico e político. Entregá-las a grupos privados, muitas vezes controlados por outros Estados, significa reduzir a capacidade da sociedade brasileira de decidir sobre o próprio futuro”.
Recomendo a leitura desse importante e rico artigo, cujo conteúdo se lastreia no conhecimento e nos fatos.

Link para a leitura: https://economia.uol.com.br/colunas/pedro-rossi/2026/09/14/a-fake-news-das-estatais-e-o-projeto-privatista.htm