Consequências da operação lava jato ainda são fortes na economia brasileira e não podem ser esquecidas

Neste sábado, li uma matéria divulgada pelo Estadão, e compartilhada por vários veículos da imprensa, que me chamou a atenção. Nela, o presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirma que o Brasil está caminhando para a reprimarização da exportação.
No texto, entre várias considerações, Velloso destaca a queda significativa das exportações da indústria de transformação na última década, que seria um ponto negativo. Enfatiza o crescimento vigoroso das importações de bens de consumo, que é um resultado positivo. E deixa clara sua insatisfação com os investimentos na indústria, que, segundo ele, caíram 35% em 10 anos.


O presidente da Abimaq traz dados muito importantes e alarmantes: “Há 10 anos, 64% das exportações eram da indústria de transformação. Hoje, é 52%”, afirma. “Percebemos que há muita exportação de itens com baixíssima transformação, como açúcar, óleos combustíveis e carne bovina. Estamos caminhando para uma reprimarização”, alertou.
Declarou também que o país não está investindo na indústria como deveria e que o investimento em máquinas é 35% menor do que o que tínhamos há 10 anos”. Por fim, levanta ainda preocupação com as consequências das políticas adotadas pelo presidente eleito dos EUA e sua guerra comercial com a China.
Constatados os fatos, faltou analisar esse trecho da história política nacional para melhor compreensão de tamanho retrocesso. Há 10 anos, quando a economia ia muito melhor, durante o governo da presidente Dilma, foi deflagrada a operação lava jato. E como já fartamente debatida, desmistificada e denunciada publicamente, a lava jato destruiu mais de 4 milhões de empregos, a engenharia nacional e toda uma cadeia produtiva e de serviços em torno da indústria do petróleo, sequestrando em torno de R$ 172 bilhões de investimentos públicos e privados no Brasil.
A operação interrompeu milhares de contratos de produtos e serviços e puniu, indevida e inconsequentemente, as empresas nacionais. Para além dessa destruição tão bárbara na economia, pavimentou um golpe de estado e a ascensão do fascismo no país, que institucionalizou a barbárie, atacando brutalmente o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
Esforços hercúleos têm sido empreendidos pelo atual governo para reconstrução do país e retomada do desenvolvimento econômico e social. Em julho passado, tive a oportunidade de participar da reunião de trabalho na sede do MME com a presença de representantes de vários ministérios, BNDES, ANP, EPE, associações e entidades representativas dos trabalhadores, das indústrias do setor de óleo e gás, inclusive a Abimaq, onde foi lançada a consulta pública sobre conteúdo local. O intuito foi debater políticas de conteúdo local que fomentem e estimulem, com base na realidade, a indústria nacional.
O processo de reconstrução nacional só se dará alicerçado na atuação conjunta do setor público e privado e com pleno entendimento do processo destrutivo pelo qual passamos entre 2015 e 2022. Sem essa compreensão, estaremos limitados a lamentar as consequências e, certamente, condenados a repetir o mesmo erro cometido há 10 anos que nos destruiu.