Empresa canadense assume gestão da SIX e Petrobrás continua ajudando na operação até 2024

Na noite de sexta-feira (4), a direção da Petrobrás anunciou que concluiu a venda da SIX (Superintendência de Industrialização do Xisto), que fica em São Mateus do Sul, no Paraná. Desde então, a refinaria está sob nova direção, sendo gerida por uma empresa privada, do Canadá. De acordo com o comunicado, a Petrobrás continuará apoiando as operações da SIX por até 15 meses, sob um acordo de prestação de serviço.
Como conselheira e petroleira, eu só tenho a lamentar por essa negociação. Votei contra a assinatura do contrato da venda da SIX, em 11 de novembro de 2021, porque não considero sensato a companhia se desfazer de um ativo lucrativo, integrado ao sistema Petrobrás e com grande potencial de agregar valor na cadeia produtiva.


A Usina de Xisto tem o maior parque tecnológico da América Latina e trabalha com tecnologia própria, desenvolvida e patenteada pela Petrobrás, chamada Petrosix, cobiçada por concorrentes, inclusive a compradora. Agora essa tecnologia foi entregue aos canadenses que a desejam há décadas.
A SIX foi criada em uma conjuntura de crise internacional do petróleo quando produzíamos muito pouco no país. Representou grande inovação à época e foi se modernizando e se adaptando às mudanças conjunturais, sempre prestando grande serviço à Petrobrás, à região e ao Brasil.
Premiada e reconhecida pelo cuidado ambiental e social na sua área de atuação, restaurando as áreas mineradas, revegetando e repovoando-as com as espécies originais, também tem fundamental papel no processamento de borra oleosa de outras unidades da companhia.
Nas condições de venda, a gestão da companhia – como em outras negociações -, se compromete, através de contrato de prestação de serviços, a auxiliar a compradora a operar, neste caso, até fevereiro de 2024. Um ótimo negócio…para a compradora.
Mas diante de tanta notícia ruim, há uma luz no fim do túnel. O presidente eleito defende a retomada dos investimentos da Petrobrás, principalmente no setor de refino, e não descarta a reversão de várias mudanças que ocorreram na estatal com a venda de ativos.
Lutarei por isso e para que a Petrobrás volte a ser o que era, uma estatal integrada e forte, comprometida com seu país e seu povo, indutora do desenvolvimento nacional.